Araucária, 25 de dezembro de 2011

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Nota do SISMMAR em resposta a matéria do jornal Gazeta do Povo

No dia 9 de janeiro de 2018 o jornal Gazeta do Povo publicou matéria na qual aponta os salários dos professores de Araucária como os maiores do estado. Nós, professores do Município, gostaríamos de falar sobre isso.

O valor pago pelo trabalho é a base para a qualidade de vida de um trabalhador. Se o salário inicial dos professores de Araucária chama tanta atenção, precisamos entender o porquê. 

Começamos pelo fato de que não foi avaliado na matéria o custo de vida na cidade de Araucária, que é bem superior ao de Curitiba e outras cidades da região. Assim, ganha-se mais, mas também gasta-se mais para sobreviver. Além disso, o professor é um profissional em constante formação, nunca para de estudar. Para que possa oferecer ensino melhor aos alunos, precisa investir nisso. A prefeitura não dá cursos que atendam a essa necessidade. Por isto, o professor de Araucária gasta do seu salário para poder fazer cursos, comprar livros, quando não, materiais para a própria escola.

E vamos mais longe: os professores pertencem a uma das profissões que mais adoece. Problemas alérgicos, respiratórios, vocais, emocionais e inflamações nas pernas e nos braços são os mais comuns. Todas essas doenças são causas das más condições de trabalho. Não temos um atendimento pela prefeitura (mesmo estando doentes por causa das condições de trabalho que ela nos coloca). Assim, boa parte do nosso salário é gasta em remédios e tratamentos de saúde.

Dito tudo isso, vamos para uma reflexão mais profunda sobre o que leva um veículo de comunicação a publicar essa matéria.

Os patrões costumam enganar os empregados. Usam de jogo sujo e manipulações para não dividir os lucros do trabalho com aquele que realmente o realiza. Frases como “na vida, não é só dinheiro que importa”, “o que importa é ter saúde” são repetidas a exaustão para os trabalhadores, mas não para os patrões.

Passamos mais de 40 horas por semana entre aulas e planejamentos, com todo o estresse que isso impõe – inclusive nas horas que deveriam ser de folga. Isso não justifica um salário que corresponde a um terço do salário inicial de um médico, por exemplo? 

Então qual a importância que damos à educação e à formação das novas gerações? 

É simples compreender o que faz pessoas acharem que a remuneração dos professores araucarienses é muito alta: a média de salários de todos os trabalhadores é muito baixa.

Não só os professores, mas toda a classe trabalhadora vive apenas com uma pequena parte daquilo que produz. Os patrões jogam a armadilha: de colocar um trabalhador contra o outro por receber um valor maior. Por que aceitamos ficar com tão pouco e ainda repetimos as falas da mídia? 

Para os meios de comunicação, políticos e empresários, não é interessante a consciência do povo enquanto classe trabalhadora. 

Uma matéria com cara de neutra, com dados fornecidos pelo próprio secretário da Educação do Município não tem nada de ingênua. Busca, sim, colocar trabalhadores das demais categorias, com trabalhos ainda mais cansativos e mal remunerados, contra os professores. Justamente estes que se dedicam à esperança de que os estudantes tenham mais condições de se defender nessa sociedade injusta. 

Há duas classes na sociedade: a dos que trabalham e a dos que exploram o trabalho de outros. No meio, há uma mídia que manipula, direciona, esconde ou dá ibope a informações conforme os interesses dos patrões.

Mas há também os que estudam a sociedade e apontam as possibilidades para as novas gerações, e isso incomoda.