Araucária, 25 de dezembro de 2011

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Aumento tarifa de energia só beneficia acionistas

A luz elétrica aumenta 15,06% e sobe muito mais que a inflação. De 2011 a 2017 foram distribuídos R$ 3 bilhões de lucro aos acionistas da Copel. É um exemplo do que acontece quando se permite o controle privado do Estado

A tarifa de energia elétrica sobe 15,06% a partir desta semana para os consumidores residenciais. Para os consumidores da alta tensão, a elevação é de 17,55%.

De junho de 2017 a maio de 2018, a inflação medida pelo IPCA-IBGE está em 2,86%. Isto significa aumento real (acima da inflação) de 11,86% para os consumidores.

A Copel obteve, nos últimos anos, crescimento expressivo da receita e lucros bilionários. Porém, os números positivos não se refletem em uma tarifa mais justa para os usuários. Ao contrário, a cada ano, os aumentos oneram ainda mais o bolso dos trabalhadores, principalmente os mais pobres.

Como empresas estatais, a Copel e a Sanepar possuem funções sociais. Deveriam priorizar em suas políticas tarifárias a busca de valores moderados para os consumidores, conforme preconizam as agências reguladoras e as legislações setoriais.

Porém, nenhuma das ações preferencias da Copel estão em poder do Estado. Apenas uma parcela está sob o controle do BNDESPar (21,3%). As demais estão concentradas no mercado financeiro. Portanto, o lucro bilionário da empresa favorece principalmente os seus acionistas.

Até o ano de 2010, eram distribuídos aos acionistas 25% do lucro líquido. Passou para 35% em 2011 e 50%, em 2013. Entre 2011 e 2017 foram distribuídos em dividendos para os acionistas da Copel a cifra de R$ 3 bilhões.

Como vemos, privatizar só faz bem aos acionistas, não à população.