Araucária, 25 de dezembro de 2011

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CNTE debate o currículo e projeto político pedagógico para a educação

Atividade realizada em Brasília pelo Departamento de Especialistas da CNTE é acompanhada pelo Coletivo de Pedagogos/as do Sismmar

CNTE - Criado em 1995, o Departamento Nacional de Especialistas em Educação da CNTE tem se dedicado a debater as principais pautas da área, discutindo a atuação de profissionais das áreas de administração, planejamento, inspeção, supervisão e orientação educacional, lutando pela unificação de direitos dos trabalhadores da escola pública do Brasil.

Neste sentido, o Seminário Nacional do DESPE tratou, em seu primeiro dia, os temas currículo, projeto político pedagógico e avaliação escolar, com as presenças do presidente da CNTE, Roberto Leão, da coordenadora do Despe, Madalena Alcântara, dos palestrantes Álvaro Hypolito, da UFPel e Malvina Tuttman, da UFRJ e da secretária de assuntos municipais da CNTE, Selene Rodrigues.

O encontro reuniu representantes de 22 das 44 entidades filiadas à CNTE. Para Leão, a CNTE tem a exata compreensão da categoria que organiza e que serviço presta para a sociedade brasileira. "Lidamos com gente e temos que ter posição e a capacidade de intervir na construção das políticas educacionais desse país, criando propostas. Por isso esse departamento tem uma importância muito grande na formulação dessas políticas", lembrou.

Para Madalena Alcântara, coordenadora do departamento, o evento para um reinício do DESPE, buscando definir o foco e o objetivo. Os encaminhamentos do seminário serão resguardados pela Confederação para organizar os trabalhadores em todo o país. "Fizemos um apanhado nos estados dos principais temas que seriam pertinentes, do que está acontecendo e do que não está, porque também temos o interesse de fazer com que aconteça. O especialista tem o dever de trabalhar na organização curricular, discutindo e fazendo com que a escola levante uma proposta, um caminho, discutindo com a comunidade, que é o que nós consideramos importante", define Madalena.

Múltiplas Vozes

Divino Mariozan, que é vice-presidente do SINTET, sindicato dos trabalhadores em educação de Tocantins e supervisor veio de Palmas especialmente para o seminário. "A CNTE está de parabéns por trazer essa discussão do currículo e do projeto político pedagógico porque é algo que enfrentamos duramente no nosso dia a dia. Também vamos reativar o DESPE do Tocantins". Já Mirna Gomes da Fonseca, pedagoga de Vitória, no Espírito Santo, compareceu pela primeira vez ao evento. "A educação como todo é um trabalho coletivo, viemos para criar concepções diferentes e isso é muito importante, porque se temos uma educação parada, o que vamos criar?. Para formar pessoas pensantes nós também precisamos nos dedicarmos a isso", defende Mirna.

Posição que encontra coro na palestra da professora Malvina Tuttman, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Para ela, é preciso fazer com que as pessoas possam ter a liberdade de dizer exatamente o que pensam e defender seus argumentos, modificar posições e avançar na construção coletiva. "Seminários dessa natureza, mais do que nunca, são fundamentais para apoiar os movimentos coletivos no interior das escolas. O professor sozinho não se sente muitas vezes fortalecido, ele precisa estar seguro num grupo onde se tenha a liberdade de expressar seus pensamentos e que ali questões concretas irão sair para contribuir para melhoria da escola onde ele trabalha", pontuou.

Selene Rodrigues, secretária de assuntos municipais da CNTE, encara o desafio de organizar essa articulação coletiva nas milhares de cidades que compõe um país de extensão continental como o Brasil. "Sempre que possível nós chamamos os sindicatos municipais porque mesmo com demandas diferentes, com cada um tendo suas prioridades e especialidades, eles conseguem pensar em conjunto, elaborando formas de poder interferir em conjunto. Para isso realizamos atividades durante todo o ano para facilitar esse trabalho", lembra Selene.

A mesa de avaliação escolar contou com Ocimar Munhoz, da USP e Maria Benigna, da UNB. O evento prossegue nesta sexta-feira, debatendo a formação dos profissionais da educação com Helena de Freitas, da Unicamp e João Monlevade, consultor do Senado Federal, além de um debate geral com os representantes das entidades para a organização do DESPE nos estados.