Araucária, 25 de dezembro de 2011

OPNIÃO

Competência Técnica e Compromisso Político

Muito se tem especulado sobre a indicação do novo secretário ou secretária de Educação para o próximo mandato. A expectativa não é gratuita. O novo ou nova gestora da Smed terá, a partir de 1º de janeiro, que administrar números expressivos: R$ 145.838.275,00 de orçamento anual para 2013, aproximadamente 22 mil estudantes matriculados na Rede Pública e mais de 2 mil servidores entre profissionais da educação e servidores do quadro geral que trabalham nas nossas 40 escolas e 33 cmeis, além das 2 escolas especiais e dos 2 centros de atendimento educacional especializado.

Ao que parece, o prefeito eleito alegou que adotará critérios técnicos e não políticos na condução da secretaria. Mas é possível separar a competência técnica do compromisso político quando se trata de educação? É possível realizar uma política “desinteressada” ou “neutra”?

Uma fórmula simples: professores dando aulas e estudantes aprendendo se mostra da mais alta complexidade e tem rendido estudos numerosos no mundo inteiro, ao longo de muito tempo. Muitas alternativas pensadas e executadas por governos têm tido maiores ou menores êxitos. Cópias fechadas de modelos educacionais apresentam diferentes resultados em diferentes redes de ensino, o que nos leva a considerar que repetir experiências exitosas em educação é fundamental, mas torná-las regra é desperdício de energia e dinheiro público. Conhecer a realidade é o primeiro passo.

Não é possível conceber a educação sem a fusão de compromisso político e competência técnica.  E compromisso político não se refere à fidelidade partidária, mas ao respeito indiscutível as regras democráticas, à atenção cotidiana aos processos educacionais e não aos resultados, a socialização e transparência das regras do jogo da gestão educacional.

E a competência técnica? Nenhum gestor sozinho é capaz de realizar grandes feitos na educação. Sem uma equipe que tenha legitimidade política e conhecimento teórico e prático sobre os processos educacionais, será possível levar adiante um projeto de melhoria da qualidade de educação em nosso município. Sem a adesão dos profissionais de educação, nenhuma política poderá ser implementada e oferecer resultados concretos.

Estabelecer uma cultura democrática não é tarefa fácil, é preciso vigilância contínua nos meios que levarão à melhoria dos índices educacionais. É preciso superar o tateamento de programas e projetos passageiros, sem acompanhamento e avaliação constantes. É necessário superar a visão de melhoria do resultado. As reprovações não podem ser analisadas apenas pela sua quantidade, mas é preciso avaliar e acompanhar os estudantes a cada nova aula. E finalmente, superar a ideia do “burocratismo autoritário”, pois tentar conduzir a educação dessa forma demonstra o desespero dos que exercem o poder, a partir da demonstração clara de sua fraqueza de ideias e ideais.

Não há formula mágica para melhorar a educação, nem a exclusividade da culpa para justificar resultados ruins. Mas é preciso que se defendam as escolas e cmeis como um sistema dinâmico, onde devem ser aplicadas políticas públicas sérias, cujos efeitos positivos sejam de longo alcance. Produzindo e defendendo a cultura democrática nesses espaços é que o novo secretário ou secretária poderá mostrar-se como “tecnicamente competente e politicamente compromissado”.

SISMMAR - Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal de Araucária.