Desde a semana passada, um bilhete veiculado nas redes sociais vem rendendo muita discussão sobre a alimentação escolar nos CMEIs. O bilhete pedia contribuição de forma voluntária para a arrecadação de alimentos diversos às crianças.

Campanhas de doação de roupas para a bazares, festas em que ocorrem vendas de bolos e pastéis e rifas já foram objeto de muita polêmica em Araucária, pois têm sido artifício utilizadas para suprir a falta de recursos nas creches e escolas municipais.

Desta vez, a campanha de alimentos feita pelo CMEI tirou o sono do prefeito e da secretária. Não pela falta dos alimentos, mas pela repercussão negativa dada por redes sociais e pela imprensa. A semana passada foi uma correria atrás de desvendar o culpado pela veiculação do bilhete. O problema de que se faltava ou não comida no prato da criançada ficou em segundo plano.

Enquanto de um lado começam a aparecer novos casos de falta de comida, denunciados pelas redes sociais, do outro a Prefeitura emite nota em que afirma sobrar comida e, o mais grave e leviano. A administração afirma que vai “abrir uma sindicância para apurar as responsabilidades da direção da unidade que atende a 130 crianças”, e que vai “apurar desperdícios nas unidades e também apurar a suspeita de que servidores possam estar consumindo alimentos que seriam destinados aos alunos”.

O Conselho de Alimentação Escolar reunido na manhã do dia 26, segunda-feira, recebeu as denúncias e irá fiscalizar se as acusações feitas pela Prefeitura condizem com a verdade. Estão previstas reuniões com os diretores de escolas e de cmeis. Também será solicitada planilha de gastos com a merenda nos últimos três anos de gestão Olizandro.

Pais e profissionais do Cmei agiram no intuito de proporcionar o melhor às crianças e estão sendo alvo de muita pressão. A preocupação é com o bilhete veiculado e não com os problemas do Cmei Centro ou com a falta dos itens perecíveis na alimentação das crianças.

Segundo a Smed, será aberta uma sindicância apenas para averiguar desperdícios de alimentação. Em relação, a alimentação dos servidores é preciso ter um olhar atento sobre essa questão. As funcionárias desses locais não possuem horário de almoço e não há como adquirir comida em unidades localizadas distante de restaurantes e mercados.

Um projeto de lei sobre este tema foi aprovado em âmbito federal e tramita em caráter conclusivo na Câmara de Deputados. O texto garante alimentação ao profissional em educação durante o período letivo, nas creches, pré-escolas e escolas da educação básica públicas.

A lei não se destina a regulamentar as sobras de alimentos nos locais de trabalho, pois isso se traduz no que a relatora do projeto, a deputada Dorinha Rezende acredita ser uma forma de desrespeito à categoria. Ressalta que “É preciso criar meios para que os profissionais da rede escolar possam se alimentar adequadamente durante a jornada estendida de trabalho”. Aguardemos.