Chamou atenção a veiculação de um anúncio pela Prefeitura na semana passada. O anúncio solicita que proprietários de imóveis em Araucária ofereçam suas residências para que sejam transformadas em creches. A Prefeitura ainda estabelece alguns critérios básicos como metragem dos cômodos em até 200 m2 no total e 40 m2 por cômodo. No total são dez novas creches/casas, distribuídas em diferentes bairros da cidade.

A correria para abrigar as crianças se deve à pressão imposta pelo Ministério Público, que vem sendo firme ao exigir o cumprimento do direito à vaga. São mais de 4 mil crianças na fila de espera. A Promotoria da Infância e Juventude ajuizou ação civil pública que impõe multa pessoal à secretária de Educação Janete Schiontek e ao prefeito Olizandro Ferreira, caso não cumpram a demanda.

Parece ser esta a maior motivação do prefeito e da secretária. Não dever à Justiça. Porém pouco tem sido feito para garantir qualidade ao atendimento na Educação Infantil.

Estão contratando temporariamente atendentes infantis, sem concurso público. Vínculo afetivo e experiência foram descartados. Pretendem alugar residências, sem quaisquer condições de infraestrutura. Basta avaliar as casas que já foram cedidas para que funcionassem como Cmeis. Verdadeiros cubículos. Aprovaram bolsas em creches privadas. Propõem mandar dinheiro público para o bolso dos donos de “escolinhas particulares”.

Todo país, estado ou cidade que encara a educação como prioridade sabe que a aprendizagem na Educação Infantil é fundamental para o desenvolvimento das crianças em todo o seu percurso escolar. Há estudos que quanto mais cedo uma defasagem cognitiva é corrigida, menos etapas serão afetadas. Além disto, a aprendizagem e a estimulação de zero a seis anos é importante para a toda a vida, já que quanto mais novo, mais conexões o cérebro faz. Mas parece que isso pouco importa aos nossos gestores públicos.

É preciso reagir a tanto descaso. Mães e pais precisam exigir conosco que, além do direito à vaga, é preciso garantir qualidade do atendimento. Nenhum direito a menos.