ditadura nunca mais

ditadura nunca mais

 

Coluna do SISMMAR, desta quinta-feira (28), publicada no Jornal O Popular

Nesta segunda-feira (25), o Presidente eleito, Jair Bolsonaro, se envolveu em mais um escândalo ao determinar que as Forças Armadas comemorem o aniversário do golpe militar de 1964, que completará 55 anos no dia 31 de março.

A data inaugurou um período de mais de duas décadas de ditadura no Brasil, marcado pelo fechamento do Congresso Nacional, cassação dos diretos políticos da população, censura da imprensa, tortura e assassinato daqueles que lutaram pela democracia em nosso país.

Centenas de mães nunca puderam viver seu luto e nunca puderam enterrar seus filhos, que desapareceram no período da ditadura. Crianças foram torturadas na frente de seus pais nessa época nebulosa. Mulheres e gestantes foram submetidas aos mais diversos tipos de tortura praticada pelos militares com o aval do governo, entre outras práticas típicas do período ditatorial.

Por tudo isso e muito mais, a ditadura é uma lembrança dolorosa para o Brasil, e principalmente para os familiares das pessoas que morreram na luta pela democracia. Portanto, não é aceitável que o Presidente da República determine qualquer espécie de comemoração da data que deu início a esse período. É digno de repúdio!

Que Bolsonaro é defensor da ditadura, no entanto, não é segredo. Desde o início da década de 1990 ele declara seu posicionamento a favor do período ditatorial e, inclusive, ganhou muitos apoiadores nos últimos tempos em função desse tipo de declaração. Horrendo e fora do comum é o Presidente da República defender um regime que matou centenas!

Hoje o discurso de Bolsonaro já não tem mais o mesmo peso de quando ele era apenas um deputado. Ao assumir o mais alto cargo da política brasileira, o Presidente precisa começar a agir com responsabilidade e isso não está nem perto de acontecer.

Festejar a ditadura é comemorar um regime completamente inconstitucional, que foi responsável por graves crimes de violação aos direitos humanos. De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), que se posicionou sobre o assunto, a recomendação do Presidente pode ser entendida como improbidade administrativa, já que Bolsonaro não pode utilizar da estrutura pública para defender e festejar crimes que atentam contra a Constituição de 1988.

A certeza que fica é a de que temos um Presidente que não faz a menor ideia do que representa a sua faixa presidencial. Enquanto o país sofre com problemas sérios na educação, na saúde e na economia, entre tantos outros, Bolsonaro se comporta como um aprendiz de “twitteiro” sem noção que não mede palavras e irrita até mesmo os seus apoiadores.

DITADURA NUNCA MAIS!