Como não poderia deixar de ser, o exercito governista nas redes sociais e no jornal da cidade se assombram sobre a qualquer ameaça que possa pairar sobre a gestão municipal. E, obviamente, ao expressar sua opinião sobre os encaminhamentos defendidos pela categoria, vociferam calúnias e desqualificações. “Balela”, “fiasco”, “gazearam”, “socialistas de araque” “péssimos educadores” são algumas das manifestações de ódio em relação a uma categoria profissional. Em especifico, os professores e seu sindicato. Mas até aí nenhuma surpresa.

A novidade agora é que a categoria decidiu reagir contra anos de ataque que vem sofrendo e buscou o Poder Judiciário para mediar esta situação. Não se trata de censura, mas da cobrança pela ética e pelo bom senso no exercício do que se chama liberdade de expressão.

Um exemplo recente é a revolta gerada pelas declarações de Raquel Sherazade, jornalista da emissora de televisão SBT, ao manifestar opinião favorável a “fazer justiça com as próprias mãos” o que levou várias entidades a representarem contra ela em juízo. Seria censurá-la ou exigir daqueles que manifestam opinião pública um pouquinho mais de decência?

Pode parecer imaturidade um colunista expressar-se contra os professores, como um aluno ressentido pelo castigo ou pelas notas baixas na escola, mas é importante saber quem o criou. O jovem colunista não passa de um ventríloquo. Ele apenas faz ressoar a verdadeira voz dos discursos que pregam o ódio, o preconceito e a intolerância característicos do conservadorismo da direita que comanda a cidade.

Porém, por mais antipatia de uma parcela da população que o jornal possa despertar, faz parte do jogo democrático a sua existência. É um negócio como outro qualquer e, por mais que incomode, tem todo o direito de existir e publicar o que bem entenderem seus donos, dentro dos limites republicanos. Tanto é assim, que publicamos semanalmente nossa coluna.

Para nós, professores, que continuemos criticando o colunista, ele merece. E parece até que gosta. Qualquer movimentação da categoria será também objeto de sua fúria, ainda mais quando atinge o governo. A sensação de impunidade dos seus últimos ataques é o retrato da confiança de quem está sendo não apenas protegido pelo jornal, mas beneficiado pela veiculação de um ideário que sustenta os donos do poder local revestido de mera vaidade e personalismo juvenil.