As profissionais da Escola Municipal Marcelino Luiz de Andrade – Ana Lucia Ribeiro dos Santos(pedagoga) e as professoras Helaine Maria de Souza Pontes e Viviane Cristina Steck – que integram o projeto Nepso (Nossa Escola Pesquisa Sua Opinião) – fizeram da tarde desta terça-feira (29), um momento de reflexão.  Por meio da conferência “A Escola que nos é cara”, que aconteceu na escola, a professora e doutoranda em Educação Gabriela Schneider proferiu palestra sobre as condições estruturais das escolas e o papel dos pais, professores, alunos, funcionários, bem como a sociedade de modo geral, para a conservação deste patrimônio público que é a escola.  


Doutoranda em educação, Gabriela trouxe dados confrontam a realidade do passado e a atual. Enquanto, nas décadas de 60/70 o analfabetismo ficava em torno de 68% e dos mil estudantes que ingressam no ensino fundamental apenas 50 chegavam ao ensino superior, hoje, o percentual de analfabetismo no Brasil é de aproximadamente 10%. Por outro lado, como aumentou o número de matrículas, explicou que a sociedade precisa cobrar mais investimentos nas escolas, que devem ser revertidos tanto para a estrutura física como para a valorização dos profissionais que atuam neste espaço. “A educação é um direito de todos. Hoje, aproximadamente 85% da estudam nas escolas públicas. Ou seja, os estados e municípios têm de manter a escola em boas condições, mas o custo para a manutenção não é pouca coisa. Por isso temos que manter a escola em condições adequadas para a educação”, defendeu.

Utilizando o índice CME (condições materiais e estruturais da escola), que inclui indicadores como estado de conservação, iluminação e ventilação, limpeza, existência de computadores e internet, conservação dos equipamentos eletrônicos, conservação do material pedagógico, dentre outros, a pesquisadora mostrou como a estrutura física, equipamentos e materiais pedagógicos inadequados – ou ausentes nas escolas – comprometem a qualidade da educação ofertada. “Dados do censo escolar de 2005 mostram que 74,3% das escolas estaduais possuem computadores, enquanto apenas 20,54% das escolas municipais possuem esse equipamento. Mas o mais grave é ainda hoje 15% das escolas municipais não têm luz elétrica”, apontou.

Além de apresentar esses dados, Gabriela também abordou qual o tipo de relação que os estudantes têm de estabelecer com a escola. A escola é um patrimônio público custeado pelos impostos pagos por todos os cidadãos brasileiros. Portanto, a própria comunidade escolar tem de conscientizar que pode contribuir com a conservação e preservação deste espaço. “A escola não é responsabilidade apenas dos governos, mas é um compromisso de todos os cidadãos, pois o dinheiro enviado para a sua manutenção vem do bolso de cada um de nós”, relembrou.

A fim de sensibilizar as crianças sobre a responsabilidade que elas têm com o local, ela explicou quais devem ser os cuidados necessários e quais são as ações corretas para conservação que contribuem para tornar a escola um ambiente melhor para a aprendizagem e o convívio. Ao falar sobre a limpeza, por exemplo, ela recorreu à matemática para explicar o impacto que a sujeira tem no trabalho das funcionárias da limpeza. ”No período da tarde são 500 alunos, mas são apenas 4 pessoas trabalhando para deixar a escola limpa. Os alunos precisam colaborar e entender que a escola é um lugar deles, feita para eles”, finalizou.

Sobre o Nepso – O objetivo do Nepso é sensibilizar a comunidade escolar para a necessidade de manutenção, conservação e melhor aproveitamento do espaço escolar como enfrentamento ao desrespeito pelo patrimônio público.  Visa também contribuir para o progressivo desenvolvimento do sentimento de pertencimento que gere mudança de atitudes em relação à conservação do ambiente escolar, dentro e fora da sala de aula.

O evento  contou com a  presença da coordenadora geral do Sismmar, Giovana Piletti, do presidente do  Sindicato dos Funcionários e Servidores Públicos do Município de Araucária (Sifar), Julio Telesca e de representantes da Secretaria Municipal de Educação (Smed) . Também participaram da atividade o secretário  municipal do Meio Ambiente, Eduardo Kuduavski, a diretora da escola Marcolino, Marcia Reis, e o diretor auxiliar, Daniel Gonçalves Pinto.