coluna SISMMAR

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Coluna do SISMMAR publicada na edição impressa do Jornal O Popular desta quinta-feira (24)

Por mais que os trabalhadores tenham se organizado e ocupado as ruas do país em atos e manifestações nacionais, movimentos em que o Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal de Araucária (SISMMAR) esteve presente, os senadores e deputados, com seus mega salários e privilégios, conseguiram aprovar a Reforma da Previdência nesta terça-feira (22), por 60 votos a favor e apenas 19 contra.

A Reforma da Previdência de Bolsonaro é, na prática, o fim do sistema solidário de aposentadoria. Trata-se de uma reforma profundamente desumana porque implica em fazer com que as pessoas trabalhem mais, contribuam mais para o enriquecimento de grandes empresas, e recebam muito menos quando forem se aposentar.

No Chile, há três décadas, enquanto o país sofria com a avassaladora ditadura de Augusto Pinochet, foi implantado um modelo de capitalização da aposentadoria. Hoje, mais de 30 anos depois, o resultado é que o país tem o maior índice de suicídio entre idosos na América Latina e encontra-se em estado de emergência.

Os idosos estão tirando a própria vida no Chile porque quando chega a hora de terem o seu merecido descanso, o valor da aposentadoria é miserável. Tão miserável, aliás, que muitos não conseguem nem comprar uma cesta básica para ter o mínimo de dignidade.

Mas, o que isso tem a ver com o Brasil? Tudo. Paulo Guedes, o ministro da Economia responsável pela Reforma da Previdência aprovada em nosso país, fez parte da equipe de economistas que implantou a capitalização da aposentadoria dos chilenos. Até pouco tempo, Guedes utilizava o Chile, inclusive, como uma espécie de “caso de sucesso”.

Nas palavras de Guedes, o país vizinho era “o paraíso do capitalismo”. Agora que o Chile vive um colapso social causado pela desigualdade social alimentada pelo capital e pelas políticas econômicas adotadas, nenhuma palavra do ministro de Bolsonaro a respeito. Cadê o paraíso? O paraíso está pegando fogo!

Guedes está calado enquanto os chilenos estão ateando fogo no próprio país porque ele mesmo tem sua parcela de responsabilidade pelo que está acontecendo por lá. E se há um aprendizado que o Chile em estado de emergência deixa para Brasil é que o nosso futuro será o mesmo, caso as políticas econômicas continuem sendo as mesmas.

A reforma da Previdência é a maior afronta das últimas décadas aos direitos dos trabalhadores. Governos anteriores tentaram emplacar reformas, mas nenhuma delas era tão desumana quanto essa de Bolsonaro.

Mas, a rebelião no Chile também mostra que o povo, quando está unido e aguerrido na luta, é capaz de abalar as estruturas de qualquer país. No Brasil não será diferente.

À luta, trabalhadores e trabalhadoras!