retorno presencialDepois de muitas idas e vindas e diversas intervenções dos sindicatos, em decreto publicado no dia 1º de abril, a Prefeitura de Araucária informou que o ensino remoto será prorrogado por sessenta dias na rede pública, com possibilidade de ser estendido. No mesmo decreto, autorizou o retorno presencial e híbrido nas escolas privadas. Com isso, mais uma vez Hissam não atendeu a reivindicação dos trabalhadores e trabalhadoras da Educação, que é a garantia do retorno presencial somente após a vacinação, e mantém a insegurança e a incerteza entre trabalhadores.

Paralelamente, o governador Ratinho Jr e o prefeito de Curitiba Rafael Greca finalmente anunciaram que as aulas presenciais na rede pública de ensino só devem voltar quando os trabalhadores forem vacinados. O prefeito Hissam, no entanto, insiste em não atender a reivindicação da categoria e mantém revogada a Resolução nº 01/2021 do Conselho Municipal de Educação (CME), que também defende o retorno das atividades presenciais somente após a vacinação dos trabalhadores.

Vale destacar que, antes desse decreto, sem nenhum diálogo com os servidores, e desconsiderando todo trabalho que vinha sendo realizado, Hissam anunciou em um jornal local o retorno das atividades presenciais na rede pública em 1º de março. Na época, os sindicatos SISMMAR e SIFAR procuraram a Secretaria Municipal de Educação (SMED), que afirmou que o retorno presencial ocorreria no dia 24 de março devido à falta de insumos.

Assim, os trabalhadores da Educação passaram a se movimentar contra o retorno, através de conselho de representantes, assembleias, comando de greve, materiais impressos e caminhão de som nas comunidades. Em assembleia com os sindicatos no dia 17 de março, a categoria deliberou por entrar em greve caso a Prefeitura insista no retorno presencial antes da vacinação. Com o decreto de Hissam que prorroga o ensino remoto por sessenta dias, que não garante que haja retorno seguro, a posição dos trabalhadores segue sendo a mesma: sem vacina, sem retorno!

A vacinação segue ocorrendo a passos lentos em Araucária, que recebeu apenas 17 mil doses do governo federal. Até agora, pouco mais de 9 mil receberam a primeira dose da vacina e apenas 2.401 receberam a segunda dose. A população do município é de mais de 146 mil pessoas. Além disso, Araucária vive um aumento expressivo no número de contaminados e mortos pela Covid-19. Só neste mês de abril, em apenas sete dias 8 pessoas faleceram em decorrência da pandemia e, de acordo com o boletim de ontem (07) da própria Prefeitura, 2.373 pessoas infectadas pela Covid-19 ainda estão em tratamento.

Outro fato que não pode ser ignorado é que na segunda-feira (05), Hissam já publicou um novo decreto que afrouxa as restrições e permite a reabertura de diversos tipos de comércios. A decisão do prefeito vem no pior momento da pandemia, quando o Brasil está registrando mais de 4 mil mortes por dia devido à Covid-19 e com os sistemas público e privado de saúde em colapso.

Quantos mais precisam morrer para que Hissam tenha respeito com a vida? Em Curitiba, Greca só mudou de ideia depois de decretar a volta das aulas presenciais por uma semana e ter um resultado desastroso, com várias escolas com surtos de coronavírus. Em março, a capital registrou recordes diários no número de mortes por Covid-19. Na rede estadual de ensino, Ratinho só voltou atrás no retorno presencial porque o Paraná virou destaque negativo em todo o Brasil pelo avanço da pandemia no mês de fevereiro e março. Hissam também quer ter uma experiência desastrosa em Araucária?

Os sindicatos seguem firmes em defesa da vida e cobrando a Prefeitura para que atenda a reivindicação da categoria. Sem vacina, sem retorno! Vacina para toda a população já!