Na sétima Conferência de Educação das Relações Raciais, o Sismmar e o GEAA – Grupo de Estudos Africanidades Araucária – convidaram a iyalorixá Dalzira Maria Aparecida (Iyagunã). Ela foi falar sobre possíveis situações, formas e metodologia para discutir a Lei 10639/03 e a cultura e história afros nas escolas.

O debate ocorreu na Câmara Municipal de Araucária, no início da noite de 20 de novembro, Dia da Consciência Negra. As atividades começaram com apresentação cultural com Eva Coller, Jair Santana e Jester Furtado (foto acima).

Em setembro deste ano, Dalzira apresentou dissertação de mestrado pela UTFPR, em que ela estudou o impacto das novas tecnologias sobre terreiros de candomblé.

A líder religiosa destaca que, “quanto mais a urbanização aumenta, a gente vai perdendo espaço. Na medida em que a água vai ficando escassa, o espaço vai sendo reduzido, a construção de prédios interfere nas plantas e na organização do terreiro”.

As religiões tradicionais africanas têm relação profunda com a natureza. “Sem água e sem mata, não tem orixá. Orixá é força viva”, explica a iyalorixá.

Os saberes tradicionais africanos são reproduzidos pela convivência em comunidade nos terreiros. Este é um espaço de educação, orientação, formação. Para Dalzira, o repasse cultural precisa encontrar outros meios, como a escola, ao lado das demais expressões.

Um desafio para os educadores é superar a desinformação e a desqualificação para abordar o conteúdo das tradições africanas. “O candomblé é uma religião de resistência. Resiste à urbanização, à intolerância religiosa”, afirma a líder religiosa.