mulheres negras

A primeira vítima fatal da Covid-19 no Brasil foi uma mulher negra do Rio de Janeiro, trabalhadora doméstica, de 63 anos. Ela foi infectada pelos patrões, que testaram positivo para o coronavírus após uma viagem para a Itália, e não resistiu. Essa morte é um retrato da desigualdade social e racial no país, que tem as mulheres pretas como as principais vítimas.

Devido às condições de vida impostas pela sociedade patriarcal, machista e racista, a maioria das mulheres negras não pode parar de trabalhar durante a pandemia. Para elas, não existe lockdown. É colocar a vida em risco se expondo ao vírus no transporte coletivo e no trabalho, ou lidar com a falta de alimento e renda para sobreviver em meio ao surto de coronavírus. Muitas são chefes de família e estão desamparadas pelo governo.

Mulheres negras trabalhadoras da saúde

Na linha de frente do combate à Covid-19, elas também são as que mais sofrem com a crise sanitária. De acordo com pesquisa da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV-EAESP), as mulheres negras trabalhadoras da saúde são as que mais demonstram medo da contaminação (84,2%), além de serem as que menos receberam testagem para Covid-19 (26%).

A mesma pesquisa, ainda, aponta que as mulheres negras têm menos suporte de seus supervisores (54%), ao mesmo tempo em que 38% declararam ter sido vítimas de assédio moral durante a pandemia.

Mulheres negras são as principais vítimas de feminicídio

Quando o assunto é o feminicídio, que aumentou durante a pandemia, mais uma vez as mulheres negras são as mais afetadas. Elas são 73% das vítimas de homicídio no país, conforme aponta um levantamento do Núcleo de Estudos da Violência da USP e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, realizado com base nos dados dos primeiros seis meses de 2020, em plena pandemia.

Segundo o estudo, houve um aumento de 2% nos índices de feminicídio em relação ao mesmo período de 2019. O levantamento também revela que as mulheres negras têm menos acesso aos canais de denúncia de violência doméstica e sexual, quando comparadas às mulheres brancas.

Por todos esses motivos, neste mês das mulheres, são fundamentais as reflexões sobre a situação da mulher negra no Brasil e o fortalecimento da luta contra o feminicídio e a desigualdade social, racial e de gênero. É urgente que esses temas sejam debatidos pela sociedade e que políticas públicas sejam desenvolvidas para proteger a vida de todas as mulheres – principalmente as mulheres negras, que são as mais vulneráveis.

AS VIDAS DAS MULHERES PRETAS IMPORTAM!