São 66 professores afastados de sala de aula com laudo médico, realizando outras atividades na escola. Somam-se a estes outros 30 em licença médica, segundo levantamento feito pelo jornal O Popular.

Estes profissionais representam quase 5% de todo o quadro do magistério.

Porém, a este contingente devemos somar aqueles profissionais que apresentam sintomas, mas não procuram ajuda por temerem ser estigmatizados.

Se o profissional atua em substituição, a situação se agrava. Ele não pode apresentar licença médica porque acaba punido com desconto no vencimento.

Este número poderia ser menor se houvesse uma política de prevenção à saúde dos servidores. Seria melhor para o município, que teria mais professores em salas de aula. Seria melhor para as pessoas, que passariam por menor sofrimento.

Adoecimento
As doenças que mais acometem trabalhadores da educação são relacionadas ao aparelho vocal e ao equilíbrio psicológico.

Nos anos 90, uma pesquisa da UNB reconheceu o alto índice de professores que apresentam sintomas da Síndrome de Burnout. A expressão inglesa significa “perder energia” e a síndrome se caracteriza pela tensão emocional e estresse crônicos provocados por condições de trabalho físicas, emocionais e psicológicas desgastantes.

O Burnout se manifesta especialmente em pessoas cuja profissão exige envolvimento interpessoal direto e intenso. É muito característico com quem trabalha na educação e na saúde.

Plano de Lutas
Por este motivo, o Plano de Lutas do magistério tem um capítulo inteiro para propor medidas de prevenção à saúde dos professores. A principal delas reivindica a elaboração do Plano Diretor de Saúde Trabalhador, formulado com a participação paritária de representantes dos servidores.

Em 2014 foi formada uma comissão, que já delineou as bases desta política.

Outra proposta é instituir comissões de saúde por local de trabalho, eleitas pelos profissionais nos locais de trabalho. Sua atuação será prevenção de acidentes e na indicação dos mecanismos necessários à eliminação de riscos que geram adoecimento.

Para viabilizar a medida, seus integrantes devem receber o treinamento necessário para elaborar o mapa de risco.

As direções das escolas e dos Cmeis necessitam receber orientação sobre o preenchimento da CIAT – Comunicação Interna de Acidente de Trabalho. Também precisa ser ampliado para 72 horas o prazo para as unidades encaminharem seus formulários à perícia médica.

Da mesma forma, é preciso garantir a participação de representantes dos sindicatos na composição do Coergo (Comitê de Ergonomia) e da CPA (Comissão de Prevenção de Acidentes).

O Município também precisa regulamentar as funções dos profissionais com laudo médico definitivo ou provisório. Assim, eles podem ter atuação mais efetiva na vida escolar, melhorando a autoestima e, em muitos casos, auxiliando na reversão dos sintomas.

Para combater o assédio moral, basta reconhecer os termos do Projeto de Lei 44, aprovado pelos vereadores em 2009, e criar campanha que coíba essa prática.

Outra reivindicação visa reduzir a carga horária de trabalho de servidor com familiar que necessite de cuidados especiais. A medida requer regulamentação, prevendo avaliação do familiar pelo Departamento de Saúde Ocupacional.