A primeira greve nacional do ensino público na Espanha, convocada contra os cortes aprovados pelo governo de Mariano Rajoy no setor, teve nesta terça-feira poucos distúrbios e uma participação que variou de acordo com as regiões onde aconteceu.

A greve, convocada na maioria das comunidades autônomas e em todos os níveis educativos –desde o infantil até o universitário– foi apoiada por cerca de 20% dos docentes e alunos, segundo dados oficiais do Ministério da Educação.

  Javier Soriano/France Presse  
Centenas participam de protesto contra cortes na educação em Madri
Centenas participam de protesto contra cortes na educação em Madri

Os sindicatos convocantes, no entanto, disseram que a participação no protesto foi, em média, de 80%, e que chegou inclusive a 90% no caso das universidades, onde mais se notou a paralisação.

Os principais sindicatos da educação pública tinham pedido aos trabalhadores deste setor (1 milhão de pessoas), majoritariamente professores, que apoiassem a mobilização contra a redução de 21% nos orçamentos do Estado em educação neste ano.

Além de criticar o corte, a categoria protesta contra um decreto governamental de medidas que determina que as comunidades autônomas economizem, no total, mais de 3 bilhões de euros no setor.

Entre os poucos incidentes ocorridos hoje nas manifestações, um grupo de jovens bloqueou de manhã a estrada próxima à UAB (Universidade Autônoma de Barcelona).

PRISÕES

Em Madri, foram detidas duas pessoas por dificultar o tráfego, e em Barcelona, outros cinco jovens também foram detidos por selar com silicone as fechaduras de várias escolas.

Os trabalhadores do ensino protestam contra medidas como o aumento do número máximo de alunos por sala de aula e o das horas letivas dos professores.

O ministro da Educação, José Ignacio Wert, justificou os cortes como “medidas excepcionais para uma situação excepcional”, em relação à obrigação das comunidades autônomas de contribuir para a estabilidade orçamentária.

A greve foi convocada em todas as comunidades autônomas, exceto País Basco, Baleares e La Rioja.

De acordo com os dados do Ministério da Educação, a patricipação variou de 4% em comunidades como Canárias e Galícia até 40% em Aragón, Astúrias e Navarra.

Os líderes dos sindicatos disseram que a greve teve “um contundente sucesso”, e reivindicaram ao ministro da Educação negociação, diálogo e acordo para evitar os cortes.

Após a jornada de trabalho, os sindicatos e entidades coletivas do setor convocaram manifestações e passeatas de protesto em várias cidades espanholas.

MARCHA

Em Madri, os manifestantes marcharam do centro em direção à sede do Ministério da Educação, Cultura e Esporte, com um cartaz que dizia: “Educação não é despesa. É investimento. Não aos cortes”.

Vários políticos dos partidos opositores PSOE e Esquerda Unida se somaram às manifestações, que recebeu também o apoio do Sindicato de Estudiantes e da Confederação Espanhola de Pais e Mães de Alunos.

A secretária de Política Social do PSOE, Trinidad Jiménez, disse aos jornalistas que “defender a educação é defender o futuro, é preciso às ruas a dizer ao governo de Rajoy que não se deve fazer cortes por decreto e sem diálogo”.

Em Barcelona, milhares de estudantes, professores e pais e mães de alunos –150 mil, segundo os organizadores e 25 mil de acordo com a polícia– participaram dos protestos contra os cortes. À frente de uma passeata, um grupo de crianças levava um cartaz feito por eles mesmos com a pergunta: “Que futuro nos espera?”.

Fonte: Folha.com/mundo