A administração municipal parece não ter dado atenção ao aviso dado pelos servidores, que paralisaram as atividades a partir das 15 horas desta terça-feira, 22 de março. Centenas deles foram até a frente da Prefeitura de Araucária, onde participaram de uma manifestação pela abertura de negociações. Às 17 horas teve início a assembleia conjunta de todas as categorias do funcionalismo.

Era perto das 15h30, quando representantes dos sindicatos Sismmar e Sifar foram recebidos pelo vice-prefeito Rui Souza. Ele não aceitou conversar com as comissões de negociação eleitas em assembleias. A muito custo, permitiu apenas a entrada das coordenadoras gerais do Sifar, Sarita Malaguty, e do Sismmar, Eloísa Helena Grilo, com assessoras jurídicas dos dois sindicatos e o economista Sandro Silva, do Dieese.

E, na verdade, não houve negociação. Rui Souza não apresentou nenhuma proposta para ser debatida. Diante da dificuldade, as direções sindicais tentaram obter do vice-prefeito um calendário para as negociações. Nem isto conseguiram.

A única resposta que receberam é de que será necessário esperar fechar o quadrimestre, em maio, para se saber o comportamento das finanças e do limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal, bla, bla, bla…

Ocorre que neste ano tem eleição municipal. A lei eleitoral limita até o dia 5 de abril prazo para o prefeito negociar a reposição da inflação desde junho do ano passado, a recomposição de atrasados para o vale-alimentação, etc.

Após o dia 5, o prefeito só pode negociar o pagamento de perdas inflacionárias desde janeiro deste ano. As perdas com a inflação ocorridas de junho a dezembro podem ficar para sempre nos vencimentos. Um arrocho salarial.

Pra obrigar o prefeito a negociar, a greve foi a única alternativa que restou aos servidores.