A mobilização dos servidores municipais, que lotou a Câmara de Vereadores na última quinta-feira, mostrou que a força está com os trabalhadores nas ruas. Desde que a notícia do fatídico decreto publicado à revelia da decisão dos Conselhos Administrativo e Fiscal do FPMA se espalhou entre os servidores, não se falou em outra coisa.

Ainda com a ressaca do efeito Beto Richa sobre o Paraná Previdência, os servidores não perderam tempo. Deixaram suas tarefas de lado naquela ensolarada manhã de 13 de agosto e foram ao Congresso Extraordinário do FPMA saber o que estava acontecendo, mesmo com a informação de que o decreto já havia sido revogado pelo prefeito.

Ao perceber as movimentações nos locais de trabalho e na imprensa, não restou muita saída a não ser anular o documento e publicar um novo, atendendo ao pedido dos conselheiros e servidores, sob pena de Olizandro macular sua imagem pelos mesmos motivos que Beto Richa “se queimou” em todo estado.

O prefeito tratou de alegar desconhecimento sobre o impacto da matéria e tomou a melhor decisão ao revogá-lo, sem partir para nenhuma queda de braço com os trabalhadores. Evitou, assim, o uso político pelos adversários, que já começam a dar sinais nas articulações de alianças partidárias e nas redes sociais. A partir da, nenhum secretário ou advogado da Prefeitura se dignou a assumir a autoria da redação do decreto.

A proporção que teve o caso do Comitê de Investimentos do Fundo não foi em vão. Os servidores sabem que é importante termos condições de monitorar onde e como são investidos os recursos para o pagamento das aposentadorias. Em Curitiba, em 2009, o então prefeito Beto Richa (PSDB) colocou pessoas de sua confiança para controlar os investimentos do IPMC (Instituto de Previdência Municipal de Curitiba). O resultado foi o prejuízo de R$ 22,7 milhões e o pagamento de propinas a conselheiros que foram investigados pela Polícia Federal. O processo corre na Justiça.

Uma certeza podemos tirar deste episódio. Apenas a mobilização unificada dos trabalhadores do serviço público poderá ampliar direitos e avançar nas conquistas. Em uma conjuntura como a que vivemos, em que o poder político está de joelhos ao poder econômico, só nos resta ir à luta para defender o que é nosso. Parabéns aos servidores! O Fundo é nosso!