O Ministério Público realizou audiência pública, em 24 de maio, com intuito de levar até a população a possibilidade de discussão a respeito do aumento de vereadores. O projeto de lei apresentado pela Câmara de Vereadores, e rejeitado pela população, foi retirado da pauta.

Durante a audiência foi realizada uma espécie de referendo entre os presentes. A maioria decidiu pela manutenção das atuais 11 cadeiras. Também foram apresentados os altos custos dos vereadores locais. Nas falas que se seguiram, os presentes manifestaram a total falta de representatividade nos atuais mandatos legislativos.

A aversão à política está muito forte em nossa sociedade. Pesquisas recentes mostram isso. A desconfiança em relação aos políticos e seus partidos é imensa. Aqui não é diferente. O Poder Legislativo se situa como um braço de apoio ao Poder Executivo e aparece como figurante nas ações da prefeitura. Protagonistas apenas, no que diz respeito às políticas imediatistas e assistencialistas.

A representação acaba sendo vista como de fachada. O prefeito só se dirige a população em inaugurações. Os vereadores só aparecem nas sessões às segundas-feiras, e olha lá. E assessores lotam os seus gabinetes. Não é incomum serem alvos de piadas e difamações em redes sociais. Poucos deles protestam contra os ataques. Expressão da naturalização da cultura da corrupção e da ineficiência da atividade parlamentar.

O Ministério Público deu um passo à frente em nossa cidade. Bateu o pó e deu pra sentir o cheiro de mofo. Esperamos que mais seja feito. Novas audiências nas comunidades, espaços abertos de discussão sobre a política e sobre as políticas públicas. Democracia real e não apenas o voto em outubro, superficialmente tratado como a arma do povo, que se volta contra ele.

Aumentar as cadeiras na Câmara Municipal poderia ser uma exigência social, num contexto de democracia efetiva. Mas, hoje, é um tapa na cara daqueles que rejeitam mais do mesmo. Parabéns aos que estão participando da vida pública em nossa cidade. Novos rostos e, o que desejamos, de uma nova forma de fazer política.