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coluna SISMMARQuase um ano depois do início da pandemia, o que se pode ver em Araucária é uma gestão que não prioriza o cuidado com a saúde da população. Nos dias 22 e 23 de fevereiro, a Secretaria Municipal de Educação (Smed) convocou reuniões presenciais com dezenas de diretores, causando aglomeração em ambiente fechado, para tratar do retorno às atividades presenciais nas creches e escolas.

Os profissionais da Educação são contra o retorno antes da vacinação. O prefeito, no entanto, além de não debater com a categoria um assunto tão grave, prefere colocar a vida de todos em risco ao decretar a volta das aulas presenciais neste momento. Mostrando-se totalmente arbitrário, Hissam atropelou a resolução do Conselho Municipal de Educação (CME). O Conselho defende um retorno seguro, ou seja, com vacina.

O estado do Paraná já soma mais de 11 mil mortos pela Covid-19 e mais de 620 mil pessoas infectadas, das quais mais de 100 mil ainda estão em recuperação. As doses de vacina enviadas pelo governo federal são suficientes para menos de 2% da população do estado, sendo destinadas aos profissionais da saúde e idosos. Devido à essa realidade, muitos prefeitos voltaram atrás na decisão de retorno presencial nas escolas.

Em São José dos Pinhais, além de a prefeitura ter dado continuidade ao ensino remoto ao menos até a metade do ano para evitar surtos de Covid-19 nas escolas, os vereadores da Câmara já aprovaram um projeto de lei que insere os professores no grupo prioritário da vacinação.

Na contramão, em Curitiba o prefeito Rafael Greca decretou a reabertura das escolas em fevereiro e a volta às aulas presencias já tem, ao menos, seis escolas fechadas por surtos de Covid-19. Para piorar, os índices de contaminação aumentaram nesta semana e a cidade já registra mais de 90% de ocupação dos leitos de UTI, com o risco de o sistema de saúde entrar em colapso.

Por que Hissam prefere seguir o caminho que coloca vidas em risco, ao invés de garantir a vacina para a população? Os professores também querem retornar às escolas, mas pedem que isso seja feito de forma segura. No momento, a única ação que o prefeito pode ter para salvar vidas e impedir que a pandemia avance em Araucária, é trabalhar para obter doses de vacina e garantir que os protocolos de prevenção à Covid-19 sejam cumpridos.

Nesta terça-feira (23), o Supremo Tribunal Federal decidiu que municípios e estados podem comprar doses de vacina, caso o governo federal não cumpra com o Plano Nacional de Imunização contra a Covid-19. Essa é uma oportunidade que o prefeito tem de trabalhar para garantir uma política pública de vacinação eficiente em Araucária.

Antes da vacina, não é possível ter um retorno seguro nas escolas e garantir que os protocolos de prevenção ao vírus sejam cumpridos. A maioria das unidades públicas de ensino sofrem com a falta de estrutura em tempos normais, e isso pode se agravar no meio de uma pandemia. São escolas em condições precárias, que sofrem com falta de água, de janelas e problemas de ventilação. Colocar nesses espaços crianças, adolescentes e trabalhadores que não foram vacinados é decretar a morte!

Hissam, cuide da população e anule o decreto de volta às aulas!