Reza a lenda que o movimento se iniciou com um padre em uma cidade. Já em outra com gritos de uma comerciante. Desta forma espontânea vêm se espalhando os protestos que já culminaram, em pelo menos duas cidades, na redução dos salários dos vereadores. No Paraná, pelo menos 28 municípios já têm seus movimentos.

Os protestos paranaenses já andaram mobilizando também cidades paulistas próximas à divisa com o Estado. Dispersos e sem vínculo entre si, geralmente começam nas redes sociais ou com um abaixo-assinado.

A primeira cidade a reduzir os salários foi Santo Antônio da Platina (PR), com 45 mil habitantes. Ao apresentarem um projeto aumentando os salários para o dobro. Uma comerciante se insurgiu, bateu boca com eles e ficou famosa em redes sociais. Como resultado, na sessão seguinte, a população foi à Câmara Municipal, usando nariz de palhaço. Diante da pressão, os vereadores aprovaram novo projeto e o salário caiu para de R$ 6.500,00 para R$ 970. Outras seguiram e estão construindo suas campanhas na mesma direção.

Aqui em Araucária, o movimento ganhou ar educativo, a base salarial pleiteada para os vereadores se dá a partir dos valores do Piso Salarial Nacional proposto pelo MEC aos professores. Com isso, os salários dos vereadores passariam dos atuais R$ 5.992,00 para R$ 1.917,78. Reuniões estão acontecendo e a população pode conhecer por meio da página no facebook intitulada Araucaos.

Muitos especialistas e entusiastas da ideia têm visto como positiva a medida, pois recoloca o poder de decisão política nas mãos da população. E ainda cria uma atmosfera de debate sobre o papel do legislador como função pública e não como uma espécie de carreira pública.

Porém, é preciso ter bom senso no debate para que não se pleiteiem reduções drásticas nesses salários, pois isso poderia criar uma Câmara ainda mais elitizada, em que apenas quem não depende do salário do vereador pudesse largar seus empregos para se dedicar à tarefa. Acreditamos que a proposta da população de Araucária é muito acertada em vincular o salarial do vereador ao do professor.

Reduzir o subsídio para melhorar a qualidade da atuação do vereador também pode ser considerado uma falácia, pois não depende de um único fator. E, para além da mera redução, outros itens tão ou mais graves precisam vir à tona. É preciso cortar altos salários de assessores, diárias com valores exorbitantes, o volume de cargos comissionados e, mais ainda, rever o percentual dos repasses à Câmara pela Prefeitura, para que sejam destinados mais recursos à saúde e a educação.

Foto da Gazeta do Povo com o movimento pela redução dos salários de vereadores em Curitiba