Foto: Reprodução Agência Brasil EBC

Na última quarta-feira (27/3), o povo Guarani, que vive na aldeia do Jaraguá, localizada na zona oeste de São Paulo, ocupou a sede da Prefeitura da capital paulista em ato contra o fim da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) e a municipalização da saúde. A mobilização foi uma resposta aos ataques do governo, que, no mesmo dia, havia fechado a Unidade Básica de Saúde (UBS) que funcionava dentro da aldeia.

Um dia antes, na terça-feira (26/3), cerca de 200 indígenas protestaram em frente ao Ministério da Saúde em Curitiba pelo mesmo motivo.

Com o fim da Sesai, que vem sendo atacada desde o governo Temer e ainda mais no governo Bolsonaro, a comunidade indígena passa a ser totalmente atendida pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Ou seja, o povo Guarani perde os poucos direitos que havia conquistado (a Sesai existia apenas desde 2010) e fica dependente do SUS, que não contempla as necessidades específicas da saúde indígena.

As lideranças indígenas que encabeçaram as mobilizações preveem que, com a medida, muito mais idosos e crianças devem morrer nas aldeias nos próximos meses. O que o governo quer com isso? Aniquilar de vez o povo que fundou o Brasil para que possamos saber sobre os índios apenas nos livros de história?

Desde muito antes de assumir a Presidência Jair Bolsonaro vem atacando a população indígena da pior forma. Em 1998, em entrevista ao Correio Braziliense, fez o seguinte comentário: “Pena que a cavalaria brasileira não tenha sido tão eficiente quanto a americana, que exterminou os índios”. Durante a campanha eleitoral de 2018, afirmou: “Se eu assumir [a Presidência do Brasil], não terá mais um centímetro para terra indígena”.

Logo que assumiu a presidência, uma das primeiras ações de Bolsonaro foi retirar da FUNAI a demarcação de terras indígenas e transferir para o Ministério da Agricultura – que é justamente o setor que tem mais interesse em explorar as reservas indígenas. Agora, o Ministério da Saúde vem com mais este ataque, impedindo que os índios do Brasil tenham acesso à um programa de saúde que respeita a diversidade e a cultura.

Inaceitável o posicionamento deste desgoverno!

Diante deste cenário, de constante ataque à população indígena e outras minorias, o SISMMAR vem, por meio desta nota, prestar solidariedade e apoio aos índios que lutam contra a municipalização da saúde.

Por mais saúde, mais direitos e mais respeito à comunidade indígena!