coluna SISMMAR

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Coluna do SISMMAR publicada na edição impressa do Jornal O Popular do Paraná desta quinta-feira (3)

“A carne mais barata do mercado é a carne negra

Que fez e faz história

Segurando esse país no braço, meu irmão

O cabra aqui não se sente revoltado

Porque o revólver já está engatilhado

E o vingador eleito” (Marcelo Yuka, Ulisses Cappelletti e Seu Jorge)

O Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal de Araucária (SISMMAR) vem a público manifestar solidariedade aos moradores do Parolin, região periférica em Curitiba, vítimas da brutalidade da Polícia Militar do Paraná, que matou um jovem e três adolescentes na última sexta-feira (27).

Segundo a versão da polícia, a violência aconteceu em decorrência de um “confronto” com as vítimas. No entanto, a comunidade local denuncia que não se tratou de um confronto, haja vista que os adolescentes não portavam armas e não reagiram, e sim de uma perseguição policial que resultou no assassinato dessas quatro pessoas.

De acordo com relatos dos moradores do Parolin, o jovem e os adolescentes já estavam rendidos quando foram executados pela PM. São eles Eduardo Augusto Damas, de 21 anos, Elias Leandro Pires Pinto, de 17 anos, e os irmãos Felipe Bueno de Almeida e Gustavo Bueno de Almeida, de 16 e 14 anos respectivamente.

O que os quatro tinham em comum? Eram todos pobres e moradores da periferia. Viviam à margem e fazem parte de um perfil comum de jovens assassinados no Brasil, pois a violência policial sempre encontra seus alvos nas comunidades mais pobres, nas favelas, na pele negra. Além disso, os quatro tinham passagem pela polícia por roubo.

É inadmissível tentar justificar a truculência policial alegando que esses adolescentes tinham passagem pela polícia. Porque eles tinham passagem, isso significa que a polícia tinha o direito de matá-los? Não. O único dever da polícia para esse tipo de crime é investigar e aplicar a lei.

Mas quando é na favela, a pena de morte já é legalizada. Na periferia, o Estado só aparece para oferecer truculência e sangue. A comunidade do Parolin sequer teve o direito de chorar a morte desses adolescentes e manifestar sua sede de justiça, já que, enquanto protestavam no sábado (28), foram, mais uma vez, duramente reprimidos pela polícia.

Assim sendo, o SISMMAR se soma aos moradores do Parolin no pedido de justiça. Que as mortes sejam investigadas e os culpados punidos!