Nesse período eleitoral assistimos a um verdadeiro alvoroço com as candidaturas de vereadores e figuras públicas de Araucária, com slogans que sugeririam que se eleitos cuidariam dos interesses da cidade. Enganaram os eleitores. Ao constituir a bancada na Assembleia Legislativa do Paraná será preciso governar para o Estado, pressupõe atuar no interesse de todos os paranaenses.

Adriana Cocci e Paulo Horácio são vereadores e foram candidatos. A primeira teve assessoria detida por boca de urna. O segundo transita entre situação e oposição, quando lhe é conveniente e oportuno. Ambos compõem a base do governo Olizandro e se comprometeram “com muito amor” para Araucária.

Numa cidade em que a crise de gestão é gritante; em que dívidas com a população e com os servidores só crescem – e na mesma proporção em que cresce a nomeação de cargos comissionados na prefeitura –, não deram uma palavra sobre esta questão. Também em suas campanhas não se pronunciaram sobre a precarização da carreira dos professores, sobre o descumprimento da Lei do Piso, sobre o adoecimento docente, tanto na rede estadual quanto na municipal.

Nenhum dos dois candidatos envolveu-se diretamente contra a entrega do patrimônio municipal ao Estado e com a luta dos moradores daqueles locais para manter as matrículas nas escolas atuais. É bem verdade que assinaram um requerimento conjunto contra a estadualização, mas não os vemos de peito aberto nesta luta. Queremos vê-los no enfrentamento ao Governo do Estado, pelo investimento real no ensino do 6º ao 9º ano e na ampliação das vagas do ensino médio diurno em Araucária. Mas queremos que ouçam o pedido das comunidades escolares do Fonte Nova e do Davi Carneiro e atuem contra a entrega destes locais.

Esta esperança depositada na candidatura local não é real. Na prática, os parlamentares seguem orientações de suas bancadas e servem, em sua maioria, com base de sustentação para o governador.

Nos municípios não é diferente. Tem sempre aquele vereador do bairro ou da região. Na cidade constituem-se verdadeiros “currais” eleitorais, distribuem-se cargos e benesses a uma ou outra liderança comunitária e assim seguem convencendo a população de que mudanças ocorrerão. Na prática, poucos projetos de relevante interesse público são apresentados.

Poderiam fazer uma lista de projetos defendidos e aprovados, em detrimento aos inúmeros projetos encaminhados pelo prefeito que foram aprovados sem qualquer ressalva. Percebemos pouco empenho para fiscalizar a execução orçamentária. As suplementações ou o remanejamento de recursos são aprovados sem quaisquer questionamentos. CPIs apenas são instaladas quando não tocam na imagem do prefeito. A da Sanepar e a do HMA são exemplos disso.

Lamentável, mas a lógica continuará a mesma. Aliás, pouca esperança podemos ter na mudança do Paraná nos próximos quatro anos. Desejamos que em Araucária esse cenário seja diferente e possamos tomar novos rumos daqui a dois anos.