Texto publicado no jornal O Popular, página 2, edição de 12 de março de 2013

Praticamente todos os dias, professores e diretores das escolas públicas são convocados a intervir em brigas, agressões, bullyings praticados dentro e fora da escola. Para garantir a integridade física dos estudantes, estes profissionais se colocam diante de situações em que arriscam muitas vezes a sua própria vida.

A tarefa primordial da escola é transmitir aos estudantes o conhecimento acumulado pelas gerações, porém os episódios de indisciplina e violência tomam parte do tempo das aulas e do trabalho dos pedagogos e da direção.

Recentemente, um episódio de briga entre estudantes com faca, na escola Papa Paulo VI, levantou o debate sobre a necessidade de proteção e prevenção em casos como este em que a escola – estudantes e profissionais – acaba ficando totalmente vulnerável.

Sabemos que a violência não se combate apenas com a repressão. E tampouco diz respeito exclusivamente às crianças e aos jovens. É preciso haver políticas integradas de emprego, educação e de ações culturais e esportivas de que a população necessita. Mas, sobretudo, é fundamental manter as escolas com condições estruturais necessárias para que os profissionais e estudantes sintam-se acolhidos por ela.

As políticas de segurança pública desempenham um papel importantíssimo, uma vez que a criminalidade também requer ações coercitivas por parte do Poder Público. E para tanto, o Município precisa olhar com cuidado para o que está acontecendo com a escola e não esperar que o pior aconteça.

Nesta quarta-feira, o sindicato promoverá uma roda de conversa com os diretores das escolas sobre os problemas enfrentados e apontaremos para as políticas necessárias para enfrentá-los. Nesse sentido, cobraremos o papel de todos: profissionais, família, conselhos da sociedade civil, estudantes e especialmente, do poder público. 

De um modo geral, profissionais e estudantes convivem em clima de medo e parece assistir impotentes, o descontrole da violência social. É preciso urgentemente, garantir um conjunto de ações efetivas e permanentes de proteção a vida em nossas escolas. Apenas falar sobre a paz nas escolas, não dará conta de trazê-la concretamente para o cotidiano escolar. Pois, ao mesmo tempo que a escola reproduz a violência social, é produzida por esta sociedade em crise.