Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal de Araucária.

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O título desta coluna partiu da manifestação de uma moradora de Araucária durante a audiência pública que debatia o Vale Creche, realizada na Câmara de Vereadores. A necessidade de bolsas de ensino pagas pelo poder público ao setor privado é a prova cabal da incompetência do atual prefeito e dos anteriores em garantir o direito a creches para as crianças de Araucária.

Com um déficit de mais de 4 mil vagas, Araucária busca soluções caras e que não se traduzem em solução efetiva para a falta do atendimento. Estão previstos R$ 6 milhões para essas bolsas, que atenderão cerca de 350 crianças, ou seja, menos de 10% da fila. O custo mensal de cada criança está proposto em R$ 1071,42.

O valor a ser pago pela bolsa está muito acima do valor das mensalidades já cobradas pelas escolinhas da cidade. A Smed justifica que estão contabilizados os uniformes e materiais das crianças, que deverão ser fornecidos pelas próprias unidades. Considerando que uma escolinha privada cobra R$ 700 pelo atendimento integral, sobram quase R$ 400 por mês, para os gastos com uniforme e materiais. Porém, nenhum estudante troca de uniforme ou adquire materiais a esse custo todo mês.

O critério de crianças a serem beneficiadas deve ser de baixa renda, com deficiência e em situação de vulnerabilidade social. É sabido que a maior parte dessas unidades funciona no Centro e a maioria das famílias pobres mora nos bairros. Não há garantias de transporte.

Quando o poder público falha na execução e no acompanhamento das políticas públicas, a terceirização e privatização acabam sendo a saída mais rápida. Não para oferecer serviço de qualidade, mas para que gestores possam se desfazer das responsabilidades com a população. É assim com a saúde e com a educação. Esta tendência vem novamente ganhando força nos últimos anos.

Todos e todas sabemos que as terceirizações são portas abertas para a corrupção e exploração de dinheiro público. Somos contra. Acreditamos que o volumoso recurso a ser despejado nas escolas privadas de educação infantil poderia ser muito bem aplicado em construção de novas salas em creches pelo município e na contratação de novos profissionais.

Que crise é esta que esbanja dinheiro público com o setor privado, na execução de asfalto e em cargo comissionado, quando nem das crianças o Prefeito consegue cuidar? Esperamos que os vereadores não aprovem essa aberração e arregacem as mangas por mais salas nos Cmeis e por concurso público para a contratação de atendentes e professores. Para ontem!

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