Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal de Araucária.

mari ferrerEnquanto as mulheres e jovens abalam as estruturas da Polônia ultraconservadora ocupando as ruas na luta pelo aborto legal e seguro e as mulheres do Chile conquistam uma constituição com perspectiva de gênero, no Brasil a misoginia, o machismo e a cultura do estupro seguem prevalecendo. O caso da influenciadora Mariana Ferrer é, infelizmente, mais uma amostra do tratamento dado às vítimas de estupro pelo judiciário brasileiro.

Mari Ferrer foi humilhada de forma estarrecedora pelo advogado de defesa do empresário André de Camargo Aranha, acusado de estupro de vulnerável. O advogado Cláudio Gastão da Rosa Filho ofendeu a vítima de diversas formas, insinuando que ela não poderia ter sido estuprada porque tira fotos “ginecológicas”, sem explicar qual a relação das imagens com o crime, entre outras acusações sem fundamento.

Para piorar, o juiz da 3ª Vara Criminal de Florianópolis, Rudson Marcos, assistiu a sessão de tortura e não fez nada para impedir o sofrimento da vítima que estava aos prantos. Por sua vez, o promotor Thiago Carriço de Oliveira defendeu a tese de “estupro culposo”, que não existe na lei brasileira, mas foi acatada pelo juiz.

O desfecho do caso é uma clara amostra de como atua o judiciário machista, misógino e burguês do Brasil. Enquanto Mari Ferrer pedia respeito afirmando que nem mesmo criminosos recebem o tratamento que ela teve na audiência, as humilhações de Rosa Filho se seguiram com o aval do juiz e do promotor. O resultado foi a absolvição do rico empresário de Florianópolis (SC) por “estupro culposo”, já que essa tipificação não existe na legislação brasileira.

O descaso e a total falta de respeito com a vítima de 23 anos, que chegou a apresentar provas do estupro como imagens, áudios e testemunhas, além de exames que comprovaram a ruptura do hímen e o material genético de Aranha, é um tapa na cara de todas as mulheres que vivem no Brasil. É mais uma prova de que a justiça dos homens serve apenas à cultura do estupro e aos mais ricos!

Manifestações

O caso de Mari Ferrer causa indignação na população e diversas manifestações em todas as partes do país estão sendo organizadas para este final de semana. Em Curitiba, o ato será realizado no sábado (07), com concentração a partir das 14h na Praça Santos Andrade. Participe!

Comprometido com a luta feminista contra o estupro e por nenhuma a menos, o SISMMAR estará presente no ato. Conforme nos mostra as lições de Chile e Polônia, entre tantas outras, sabemos que somente a organização do povo nas ruas pode combater o machismo, a misoginia e a cultura do estupro enquanto o Estado e o judiciário insistem em querer decidir sobre o corpo e comportamento da mulher!

JUSTIÇA POR MARI FERRER E POR TODAS AS MULHERES!

ESTUPRO CULPOSO NÃO EXISTE!

NEM UMA A MENOS!

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