Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal de Araucária.

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Com muita indignação e preocupação, nós, professoras e professores do magistério municipal de Araucária, destacamos a desumanização e degradação dos atendimentos prestados pelo Departamento de Saúde Ocupacional (DSO) de Araucária.

O DSO, que deveria ser espaço de acolhimento e de promoção da saúde e do bem-estar dos servidores municipais, hoje é um órgão público que, infelizmente, tem contribuído para o aumento do adoecimento de uma categoria já adoecida pelos desafios impostos pelo dia a dia nas Unidades Educacionais.

Várias pesquisas de institutos sérios revelam que a categoria dos professores da Educação Pública tem adoecido devido às condições de trabalho nas Unidades Educacionais. Segundo o livro desenvolvido pela Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança do Trabalho (Fundacentro), órgão ligado ao Ministério do Trabalho e Emprego, “atualmente as questões mentais e comportamentais acometem mais os professores do que questões físicas.” A pesquisa destaca que os principais distúrbios que acometem os professores são a Síndrome de Burnout, estresse e depressão decorrentes do trabalho.

Diante dessa realidade, é imprescindível que o departamento responsável por cuidar da saúde física e mental dos professores esteja capacitado e disponha de profissionais de saúde que possam auxiliar os docentes a reestabelecer o seu bem-estar. Entretanto, o que se vê em Araucária são ocorrências que vão na contramão do que deveria ser o DSO.

Praticamente todas as semanas chegam ao SISMMAR relatos de professoras e professores que foram atendidos de forma totalmente desumanizada, ríspida e cruel no DSO. Não são poucos os relatos de médicos que tratam com descaso e/ou humilham os trabalhadores no momento em que estão mais fragilizados: o momento do adoecimento, seja físico ou mental.

Num episódio específico, um médico do DSO Araucária chegou a expor publicamente o CID de diversos professores que buscaram atendimento devido a problemas relacionados à saúde mental. Para piorar, esse médico ainda insinuou que os professores inventavam essas “doenças” para pegar atestado e faltar ao trabalho. Para o nosso espanto, esse constrangimento ocorreu justamente durante uma palestra que tratava da saúde mental dos servidores.

E esse não é um caso isolado, pois o sindicato também já recebeu diversos relatos sobre o descaso com professores adoecidos mentalmente que, quando chegam ao DSO, têm seus atestados médicos relativizados. Professores que são obrigados a voltar a trabalhar sem condições mentais porque seus afastamentos não foram levados a sério por médicos desse departamento. Onde está a ética?

Também destacamos o machismo e a misoginia recorrentes nos atendimentos prestados às professoras mulheres. Há, inclusive, casos absurdos em que professoras que passaram por situações graves, como a perda de um bebê ainda durante a gestação, e foram completamente desumanizadas no momento em que mais necessitavam de acolhimento por essa instituição. Ao invés de serem respeitadas em seu momento de luto e dor pela perda de um filho, foram tratadas com crueldade por médicos que insinuaram que não haveria motivo para tanta tristeza, já que futuramente poderiam engravidar de novo, como se um filho pudesse ser substituído por outro. Mulheres que não tiveram seu período necessário de afastamento do trabalho respeitado porque médicos do DSO atestaram que era possível retornar à sala de aula antes do tempo necessário para a recuperação física e mental diante de casos como esse.

Poderíamos, nessa carta aberta, citar ainda mais outras dezenas de relatos de desrespeito e constrangimentos aos professores no DSO, pois exemplos não faltam. Mas, sobretudo, queremos insistir que é possível mudar essa triste realidade. É possível que esse departamento faça uma autocrítica, melhore e passe a fazer o que é o seu dever: acolher e promover a saúde e o bem-estar dos servidores municipais.

Em tempo, também queremos destacar que vamos seguir incansavelmente na luta por mudanças e avanços no decreto municipal que dispõe sobre o DSO. Lutaremos para que os professores tenham o direito de acompanhar os seus pais e mães idosos, filhos e dependentes em consultas médicas sem serem penalizados por isso. Lutaremos por um DSO humanizado, digno e respeitoso com os professores e todos os servidores.

Ademais, pedimos que, com urgência, a Prefeitura apure o que tem acontecido dentro do DSO e tome as devidas providências para que o referido departamento passe a fazer o que lhe é de ofício. Nós, professoras e professores, não somos apenas servidores públicos, somos seres humanos e estamos vulneráveis às doenças, físicas ou psicológicas, como qualquer pessoa está. E nesse momento de fragilidade, queremos e temos o direito de sermos respeitados.

Por um DSO humanizado já!

Por um DSO que faça a prevenção já!

Por um DSO que atenda às necessidades de trabalhadores adoecidos já!

Por um DSO que faça enfrentamentos em defesa do trabalhador já!

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