O Brasil é um país diverso e plural, no qual as pessoas têm o direito de escolher qual religião seguir ou não. Há os católicos, os evangélicos, as religiões de matriz africana, o espiritismo, as religiosidades dos povos originários, entre diversas outras vertentes, além dos brasileiros que optam por não seguir religião alguma. Todas essas pessoas devem ser respeitadas.
Em tempos nos quais políticos utilizam a todo custo as religiões como palanque eleitoral, é essencial resgatar que, em nosso país, o Estado continua sendo laico. E é laico, conforme prevê a Constituição, justamente para que todas e todos tenham o direito de seguir, ou não, a religião e os preceitos nos quais acreditam sem que sejam perseguidos.
Em meio às Eleições de 2022, que são as mais importantes desde a redemocratização do Brasil, a religião tem sido muito pautada pelas campanhas. Isso porque, nas últimas décadas, houve um enorme avanço do fundamentalismo religioso no país, inclusive rompendo a barreira que costumava separar política e religião.
Por isso, é tempo de reforçar a defesa da democracia e, consequentemente, da liberdade religiosa. Da mesma forma, é preciso reforçar o Estado laico, no qual nenhuma religião deve pautar a política. Religião é uma escolha individual e pessoal. Já o Estado é, obrigatoriamente, para todos.
E sobre esse assunto, não há como ignorar que o atual presidente, Jair Bolsonaro, vem se aproveitando da fé das pessoas. Com o slogan “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”, que, inclusive, foi inspirado no slogan da Alemanha nazista “Deutschland über alle“ (“Alemanha acima de tudo”), Bolsonaro se coloca como uma espécie de único líder cristão que pode salvar o país.
Mas, será que essa é realmente a verdade? Ontem (12), Dia de Nossa Senhora Aparecida, o presidente utilizou a Missa de Nossa Senhora Aparecida para fazer campanha eleitoral. Porém, após o arcebispo da Arquidiocese, Dom Orlando Brandes, criticar a fome, a mentira e o ódio, seguidores de Bolsonaro vaiaram o arcebispo, provocaram tumulto e hostilizaram jornalistas da TV Vanguarda e TV Aparecida.
Além de mais esse episódio de barbárie, há que se lembrar que Bolsonaro defende o armamento e a redução da maioridade penal, num discurso punitivista e nada solidário. Bolsonaro já agrediu mulheres, chegando a dizer que a jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha de S. Paulo, queria “dar um furo” em tom pejorativo. Em um discurso recente, se autodenominou como “o imbrochável”. Bolsonaro mente todos os dias, inclusive mentiu que não houve demora na compra das vacinas contra a Covid. No período mais crítico da pandemia, o presidente imitou uma pessoa com falta de ar quando milhares de famílias estavam em luto, sem compaixão alguma.
Há como ser cristão sem seguir os preceitos de Jesus Cristo? Porque Bolsonaro não tem feito isso. Suas políticas irresponsáveis e negacionistas levaram 700 mil brasileiros à morte, levaram o Brasil de volta ao mapa da fome e aumentaram expressivamente a destruição da floresta e do meio-ambiente, entre tantos outros exemplos que passam longe dos princípios defendidos pelo verdadeiro cristianismo.
Assim sendo, é hora de acabar com a mentira! Sendo cristão ou não, a verdade é que Bolsonaro não é bom para o Brasil. O fato é que o Estado é laico e a democracia vem sendo amplamente atacada por quem utiliza, em vão, o nome de Deus e a crença das pessoas para angariar votos e implementar a política de morte, ódio e miséria.
Contra a mentira e em defesa do Estado laico e da liberdade religiosa, FORA BOLSONARO!