Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal de Araucária.

Bruno Pereira e Dom Phillips

Atualizado em 14/06/2022, às 08h40

O Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal de Araucária (SISMMAR) lamenta profundamente as mortes do indigenista e servidor da FUNAI, Bruno Pereira, e do jornalista britânico Dom Phillips, e se solidariza com os familiares e amigos das vítimas. Ambos estavam desaparecidos há uma semana na região do Vale do Javari, no Amazonas.

As mortes do indigenista e do jornalista foram confirmadas pela esposa de Dom Phillips, Alessandra Sampaio, nesta segunda-feira (13), a André Trigueiro, jornalista da Globo. A embaixada britânica também já confirmou que ambos os corpos foram encontrados, além de pertences. Apenas as autoridades brasileiras ainda não confirmaram.

Após ter informado que os corpos haviam sido encontrados, Alessandra Sampaio voltou a entrar em contato com o jornalista da Globo para avisar que os corpos ainda precisam passar por perícias para confirmar a identidade. As autoridades brasileiras seguem sem confirmar a morte da dupla.

De acordo com denúncias da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) à imprensa, o servidor da FUNAI estava sofrendo ameaças de pescadores ilegais, madeireiros e garimpeiros pela sua luta em defesa dos povos indígenas. O experiente jornalista Dom Phillips, por sua vez, sofreu ameaças por estar coletando entrevistas para um livro sobre o meio-ambiente.

Agora, caso os corpos sejam mesmo de Bruno e Dom, restará a pergunta: quem matou e/ou mandou matar Bruno e Dom?

É urgente que as autoridades brasileiras investiguem e esclareçam o caso, pois a sociedade aguarda respostas. Esse não pode ser mais um caso sem solução. Basta de perseguição e extermínio dos que lutam pelos direitos ambientais e dos povos indígenas.

Aumento da violência no governo Bolsonaro

Assim como o sindicato alertou para o aumento da violência contra jornalistas, de acordo com relatório da Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ), alerta também para o aumento da violência contra ativistas que atuam na defesa do meio-ambiente e dos povos indígenas.

Vale destacar que as supostas mortes de Bruno e Dom Phillips ocorrem em meio ao avanço do garimpo, da extração de madeira e da pesca ilegais no Amazonas, incentivados pelo desgoverno Bolsonaro.

Recentemente, também observamos com atenção outros casos absurdos de violência no país. Relembramos o assassinato de Genivaldo de Jesus Santos, que morreu após ser asfixiado com gás em uma viatura da Polícia Rodoviária Federal (PRF), e a matança promovida por uma operação policial na Vila Cruzeiro (RJ), que resultou na morte de 23 pessoas.

Todos esses casos de violência estão relacionados às políticas federais de ataques ao meio-ambiente, à população negra e contra os povos indígenas, incentivadas por Bolsonaro. O presidente, inclusive, chegou a parabenizar a ação policial que deixou dezenas de corpos negros mortos no Rio de Janeiro.

Sobre o caso Bruno e Dom Phillips, enquanto Bolsonaro disse que ambos estavam “se aventurando em uma região perigosa”, o atual presidente bolsonarista da FUNAI, Marcelo Xavier, chegou a afirmar que eles não tinham autorização para estar na região quando desapareceram – mentira que foi desmascarada pela reportagem da Globo.

Basta de matança! Justiça para Bruno Pereira, Dom Phillips, Genilvado de Jesus Santos e todos os corpos negros vítimas da brutalidade policial e do Estado!

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