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Créditos: Paulo Pinto/Fotos Públicas

A liberdade de Lula é um momento importante na conjuntura nacional. O processo que culminou na Lava-Jato usou uma tática já experimentada, de não discutir o processo penal, as provas, a perícia. As condenações são dadas pela opinião pública, que é algo forjado pelos donos do capital. Não à toa, as tropas bolsonaristas das redes sociais espalham fake news.

Lula foi condenado sob a mesma justificativa, a opinião pública. A Lava-Jato faz parte do projeto imperialista em dominar politicamente a América Latina. Há mais de 20 ex-presidentes presos ou processados na América Latina e isso não é coincidência. Outrora, CIA e as águias da Casa Branca patrocinaram regimes de terror na pátria latino-americana, impondo assassinatos, sequestros, torturas da mais vil barbárie, desumanizando vidas. Dessa feita, o poder judiciário cumpre, com seus juízes, promotores e procuradores o papel de generais e marechais.

Não vamos isentar o prejuízo que a conciliação de classes trouxe à classe trabalhadora. A aliança entre capital e trabalho, que o próprio Lula ressalta em sua primeira eleição, não é algo possível. Mas ao longo de 2019, estamos tentando construir a luta conjunta, com toda crítica, à esquerda do espectro político ideológico, que temos à política de conciliação de classes.

A conjuntura é dinâmica, em diversos atos nesse ano as forças mais radicais (na melhor definição revolucionária) conseguiram demonstrar na prática sua capacidade de organização dos trabalhadores. A unidade na luta foi construída na prática, com todas as suas contradições. Reconhecer que a soltura de Lula, um preso político, movimenta as peças nesse jogo de xadrez é estratégico. Lembremos que existem muitos outros presos políticos, todos perseguidos por de alguma forma organizar os trabalhadores e construir alternativas à hegemonia do capital.

Nossos inimigos de classe, a burguesia, os fascistas e seus asseclas passarão a pressionar pela violação das leis. É provável que cresçam os discursos pró Ditadura. E só os trabalhadores organizados podem barrar esse monstro, que só teima em voltar a nos assombrar porque o fim da ditadura foi pactuado sem punição ao opressor. Só os nossos pagaram com a vida, a saúde e os traumas.

Contudo, essa decisão do STF veio somente após a aprovação/apresentação com condições concretas de aprovação de um conjunto de reformas que garantem maior lucro para os patrões e mais exploração pra nossa classe. E parte delas já está nas agendas dos governos do Partido dos Trabalhadores. Isso porque na democracia capitalista, o capital impõe sua política com mais ou menos resistência, a depender da composição de forças que gerencia o Estado.

Por outro lado, num momento histórico em que “estão sapateando na constituição”, a democracia está sob séria ameaça. Falas do clã Bolsonaro sobre o AI-5 estão sendo naturalizadas. Por isso, garantir o cumprimento da Constituição é fundamental.  Análises equivocadas na Alemanha afirmavam que as leis barrariam Hitler.

Há quem diga que o sentido dessa decisão tende a pacificar os trabalhadores e evitar um processo mais radical, como o que ocorre no Chile, que é tão intensa que até a indústria do futebol teme a realização da final da Libertadores em Santiago.

No momento, tendemos a discordar porque sabemos que os trabalhadores não estão organizados a esse ponto. A contrarreforma trabalhista e o fim da aposentadoria estão aprovados sem o barulho necessário. A parcela alienada, alheia à sua própria condição de classe social, não se enxergando enquanto trabalhador e cooptado pelo discurso capitalista do mercado, durante o auge da tentativa de implementação do Estado do Bem-Estar Social no Brasil, ajudou a eleger um presidente miliciano com discurso fascista.  Vivemos sob a sombra da ditadura da toga com características do fascismo.

Houve quem, do nosso lado, na Alemanha durante a ascensão do Hitler, apostasse que caso ele chegasse ao poder e governasse de forma fascista, deixaria a revolução mais próxima. Nenhum comunista teve o mandato cassado depois de 1933 porque a milícia fascista já tinha fuzilado todos.

A nossa tarefa histórica como trabalhadores organizados é a luta. E a saída é à esquerda, por isso: não à conciliação com o opressor!

Só a luta muda a vida!