
Nos últimos dias, o caso envolvendo uma estudante portadora de doença celíaca e uma escola da rede municipal, em Araucária, tomou grande proporção nas redes sociais e na mídia. Compreendemos a angústia de uma mãe que, em defesa da saúde da filha, busca garantir condições adequadas de alimentação. A doença celíaca exige, de fato, cuidados rigorosos e específicos que não podem ser ignorados.
Contudo, é igualmente importante considerar o outro lado dessa questão: os educadores, gestores e profissionais da escola, que se dedicam diariamente ao bem-estar de todas as crianças, agora se veem em uma situação de extrema pressão e sofrimento. A equipe escolar, composta por diretoras, pedagogas e professores, tem buscado formas de atender às necessidades da aluna, dentro dos limites institucionais e legais, e respeitando os processos que envolvem a rede pública de ensino.
Desde 2023, foram várias as tentativas de mediação e diálogo, incluindo a atuação do Conselho de Alimentação Escolar (CAE), o Ministério Público (MP-PR) e a Secretaria Municipal de Educação (SMED). A escola, como instituição, nunca se negou a procurar soluções, mas infelizmente, a situação evoluiu para um conflito que, hoje, se torna desgastante para todas as partes envolvidas.
A exposição pública, com vídeos e recortes de conversas, tem gerado um ambiente hostil e ameaçador dentro da escola. Profissionais que sempre zelaram pelo cuidado das crianças relatam estar com medo, inseguros e emocionalmente abalados. A escola é, antes de tudo, um espaço de acolhimento, aprendizado e respeito mútuo – valores que precisam ser preservados.
Propomos a retomada de um diálogo humanizado e responsável, com a presença de mediadores especializados, representantes do MP-PR, da saúde, da educação e da própria família, para que se encontrem alternativas viáveis e sustentáveis.
Sugerimos ainda:
- A criação de um protocolo municipal específico para casos de crianças com restrições alimentares graves, com participação ativa da comunidade médica e das famílias;
- Suporte psicológico aos profissionais da escola, que têm enfrentado ameaças e um ambiente de tensão injusto;
- Um espaço de escuta respeitosa, no qual a família possa expressar suas preocupações, mas também ouvir e compreender os desafios enfrentados por quem trabalha com dezenas de crianças diariamente.
O bem-estar da estudante celíaca é, sim, prioridade. Mas ele só será garantido se todos atuarmos com empatia, responsabilidade e compromisso com a verdade. Não se trata de vencer ou perder, mas de construir juntos um ambiente onde todos, especialmente as crianças, estejam protegidos e respeitados.
Que este momento sirva de aprendizado coletivo e que possamos sair dele mais fortes, unidos e conscientes do nosso papel na formação de uma sociedade justa e acolhedora.